Holantec :: Consultoria em Fruticultura
       
Integral e valioso
 
Demanda por suco de uva faz tradicionais produtores de vinhos finos redirecionar parte da produção
         
fotos/noticias/integral-e-valioso-1.jpg Suco de uva integral tem chamado a atenção do mercado

Foi-se o tempo em que o Brasil (leia-se o Rio Grande do Sul) produzia apenas vinhos de mesa, aqueles do garrafão de 5 litros. O país entrou definitivamente para o seleto grupo dos que têm bons vinhos finos e espumantes. Muitos daqueles produzidos no Vale dos Vinhedos têm o selo de Indicação de Origem e caminham para a conquista do selo Denominação de Origem – e estão presentes em todas as principais avaliações e classificações enológicas do mundo. Outro produto proveniente das vinícolas gaúchas tem chamado a atenção do mercado: o suco de uva integral. “Foi o filão que mais cresceu nos últimos cinco anos”, diz Andréia Gentilini, diretora do Ibravin (Instituto Brasileiro de Vinhos). De acordo com a entidade, o aumento foi de 400%, com média anual de 30%. Em 2007, foram vendidos 10 milhões de litros de suco; em 2012, foram 50 milhões. No primeiro semestre de 2013, o crescimento foi de 43% em relação ao ano passado, e estima-se que até o final deste ano sejam comercializados 75 milhões de litros. “Por enquanto, podemos dizer que o principal foco é o mercado interno, mas esses números devem ser maiores nos próximos anos”, acredita Gentilini. A executiva explica que as razões para o crescimento do suco de uva integral são muitas. O produto pode ser fabricado durante todo o ano (ao contrário dos vinhos e dos espumantes, ele não precisa ficar maturando em tanques ou barris de carvalho); a concorrência com países estrangeiros é menor; e o produto paga menos impostos, por não ter álcool na composição.


Parreiras de uvas-americanas na Serra Gaúcha (Foto: Divulgação)

Indicação médica

O suco de uva integral tem um público consumidor maior, incluindo aí a garotada, que, dependendo do Estado onde reside, recebe a bebida na merenda escolar – caso dos gaúchos. Além disso, pessoas acima de 60 anos passaram a tomar o suco por indicação médica. “As pessoas estão buscando produtos mais saudáveis”, diz Andréia Gentilini.
Em Garibaldi está a Cooperativa Vinícola Garibaldi, em atividade desde 1931. Seu presidente, Oscar Ló, conta que nesta safra as 327 famílias associadas forneceram 15,2 milhões de quilos de uvas. Foram produzidos 12 milhões de litros de bebidas, entre vinhos finos e de mesa, espumantes e sucos integrais. “Deste volume, 30% eram de suco integral”, conta Ló, que acredita que haverá um incremento em torno de 10% na próxima temporada. Atualmente, a empresa tem cinco rótulos de sucos, em garrafas de 300 e 500 mililitros e até 1 litro. “O consumidor tem opções na hora de comprar o produto no supermercado.”
Ló acredita que o aumento na demanda por sucos integrais deve-se à busca por produtos mais saudáveis, à maior oferta no mercado (80% das empresas instaladas no Vale dos Vinhedos produzem o suco integral de uva e, de toda a produção nacional de suco integral, 90% têm origem no Rio Grande do Sul) e ao aumento de renda da população brasileira. “Quando é integral, o suco não tem adição de corantes ou açúcar, como os demais. O consumidor brasileiro tem se preocupado muito com isso e tem condições de optar por um produto mais elaborado na hora da compra”, afirma.
A Cooperativa Aurora, localizada em Pinto Bandeira, está colocando no mercado sucos integrais enriquecidos com fibras e vitaminas. O enólogo Flávio Ziglio explica que esses investimentos vêm de encontro à demanda. “É um produto natural, sem conservantes, e estamos adicionando fibras e vitaminas para um público específico, as crianças que não se alimentam direito”, explica. A venda de sucos integrais (quase 2 milhões de litros anuais) já representa 35% do faturamento total da empresa, de R$ 230 milhões em 2012.

Uva orgânica

De carona no suco de uva integral, as uvas orgânicas ganham destaque ano a ano. “Já temos 62 produtores fornecedores de uvas orgânicas para nossas linhas de suco de uva integral orgânico, o que nos garante pelo menos 1 milhão de quilos por safra”, lembra Oscar Ló, da Garibaldi. No Vale dos Vinhedos, quem produz a fruta sem agrotóxicos, sem fertilizantes ou adubos sintéticos e zero de pulverização química chega a lucrar 15% a mais por quilo. Ló diz que, enquanto a média de preço do quilo de uvas-americanas, as mais comuns para sucos, é de R$ 0,60, as orgânicas podem custar de R$ 0,70 a R$ 0,80. “O custo de produção de um vinhedo orgânico é mais elevado, por isso é mais caro”, explica.
Vinícola Salton, que produz 15 milhões de litros de bebidas por ano com 348 milhões de quilos de uva por safra, utiliza as uvas orgânicas para fabricar 2 milhões de litros de sucos naturais. Daniel Salton, presidente da empresa, diz que, apesar de a fruta orgânica encarecer em cerca de 20% o preço final do produto, as vendas aumentaram significativamente nos últimos anos, direcionando a produção da empresa para o segmento. “É um tipo de consumidor mais preocupado com sua saúde. Não importa se o produto é um pouco mais caro.”

Disponível em: http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agricultura/Hortifruti/noticia/2014/02/integral-e-valioso.html

Foto: Divulgação

         
       
         
 
Holantec Consultoria em Fruticultura

Rodovia Raposo Tavares, km 256
C.P.: 506 | CEP: 18725-000
Distrito Campos de Holambra
Holambra | SP

Fone: (14) 99687-0080 Elcia
(14) 99866-3436 Cris

holantex@uol.com.br
www.holantec.com.br

DEVELOPED BY JT COMUNICATION FROM BRAZIL 2013 | ALL RIGHTS RESERVED | www.jtcomunicacao.com.br